quarta-feira, 11 de julho de 2018

Dear sis

E você estava lá, deitada, com seu corpo frio, tão frio quanto o chão no qual estava sobre.

(I long to be like you
Lie cold in the ground like you) *

Seus olhos já não brilhavam, a alegria que outrora irradiavam já não estava mais lá, tudo que restava era o fitar vazio, o nada.

(Halo, blinding walls between us
Melt away and leave us alone again.) *

 Seus músculos estavam rígidos, seus dedos não se abriam, sua boca não respondia. Ao fundo, gritos desesperados, de dor, de pavor. Doloridos como meu coração, apavorados como minha mente, desesperados com a ideia de que você já não vai voltar.

(Has no one told you she’s not breathing?) **

O mundo perdeu tudo o que você era, tudo o que tinha para oferecer, num piscar de olhos tudo se acabou para ti, meu bem.
E agora, o que eu devo fazer com esse buraco que ficou e não diminui? Pelo contrário, aumenta a cada dia que deito minha cabeça sobre o travesseiro e lembro de seu rosto apático. Como seguir sabendo que seu corpo oco está guardado em uma gaveta e que seu espírito cheio de vida já não existe?

(If I smile and don't believe
Soon I know I'll wake from this dream) **

Minha querida irmã, partiste há quase um ano e ainda não aprendi a lidar com a sensação de que irá entrar com seus escândalos pela porta, não tenho conseguido conter as lágrimas nem os soluços que surgem involuntariamente.

Peço, com todo meu amor que, se houver um além, você esteja em paz e, se possível, que me olhe e me ajude a seguir sem você.


*Trechos da música Like You, da banda Evanescence.
**Trechos da música Hello, da banda Evanescence.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Restless, blind

He was exhaustedtired of that place, of the people around him, of all those plastic faces. But what could he expect? He had never left the way he wanted to. He was always unable to finish anything he startedprojects, dreams, all the things he cared about. Somehow, he always ended up putting them aside.
He felt trapped, not just by the place, but by his own fears and thoughts. No matter what happened, he never said what should’ve been said or did what should’ve been done. He felt hopeless, broken.

He had never truly fallen in love. He thought he had, several times. But in the end, it always turned into disappointment. Even though he had sworn eternal love on more than one occasion, it was never real. His moments of peace were always tied to music and coffee. He could sit in that cafe for hours with his earphones in, just watching people pass by. For each one, he would create a story: "That woman lives in a flat with four cats. She loves cats. She must be a nurseshe’s all dressed in white. Yeah, she’s a nurse for sure. And her friends always ask her when she's going to find someone to date, but she’s happy. Even though she lives alone with her cats, she doesn’t care."

He did that often, making up stories about strangersstories that weren’t true. For quite some time, that's how he spent most of his days.

All he wanted was to fill the emptiness somehowwith someone, something, anything. But he was too blind to realize that the void inside could only be filled by himself.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Verbo, embolado.

Eu acho que te amo e isso já é meio evidente. Também é claro que eu não vou servir para te ajudar nem melhorar nada. Algo novamente me preencheu e rapidamente se esvaziou, como sempre.
E o que fazer? Nunca sei. Ações são problemas na minha vida desde que me lembro, não gosto de verbos. Fazer, por que sempre devemos ou sentimos vontade de fazer qualquer coisa? Verbos, não gosto deles. Não gosto porque nunca posso tomá-los para mim da forma que desejo. E amar? Outro verbo que perdeu um pouco de sentido. Por quê? Não sei, só sei que verbos me incomodam, sejam eles no passado, no presente ou no futuro, me deixam desconfortável. Agir sempre foi algo que eu não soube, mas também, como poderia saber? Nunca agi.

Força, inteligência, agilidade. Atributos de um jogo que também atribuímos a nós. Atribuímos por quê? Não faço ideia, mas só sei que é assim. Uma confusão entre tudo no mundo, entre o mundo e o tudo, entre consciente e inconsciente. Você está consciente? ACORDA! Ouviu? Role os dados e tome sua próxima ação, ela é decisiva para o desenrolar do jogo. Desenrole, você está muito embolado, garoto, aquela garota não quer se embolar com você. Também, como poderia? Você está embolado demais pra se embolar em alguém, se desenrola. 

domingo, 14 de maio de 2017

Eu... Vazio

Um apogeu de emoções surgiu, raiva, ódio, desgosto, angústia, o mundo parecia girar mil vezes por segundo enquanto estávamos ali. O desconforto do encontro de nossos olhos era tão pesado quanto a gravidade e tão denso quanto a ideia de morte. Palavras ininteligíveis saem de sua boca, os olhos embaçam, um cisco, lágrimas. 

Onde está você agora? Nos braços de outro alguém que te adora.
Onde está você agora? Perto de mim nas memórias, longe do toque ou do olhar.
Criamos o mundo em instantes e o destruímos tão rápido quanto pudesse ser feito e tudo que sobrou daquele ligeiro amor foram cinzas, pó e ruínas.

Mas quem eu tentei enganar? Eu sou vazio, eu sou o vazio, sempre em busca de algo para me preencher, um romance, um caso, um sexo, mas com você, ah, com você eu me senti preenchido, mesmo que por poucos instantes e deixei isso escapar, feito areia entre os dedos, porque tudo que sempre conheci foi essa carcaça vazia que vaga por aí, tentando ser inundada por algo, mas quando finalmente consegui, tive medo e te deixei ir, porque eu existo... Eu vazio.





sábado, 1 de abril de 2017

Uma história

Uma sala,
Você e eu,
Uma conversa.

Uma escada,
Você e eu,
Um olhar.

Um corredor,
Você e eu,
Um beijo quente.

Um bar,
Você e eu,
Negação.

Uma praça,
Você e eu,
Não querer deixar ir.

Um quarto,
Você e eu,
Sexo sem fim.

Uma ligação,
Você. Eu?
Rejeição.

Uma conversa,
Eu,
Erros cometidos.

Um olhar,
Você,
Rancor.

Uma noite,
Eu. Você?
Me dá as costas.

terça-feira, 14 de março de 2017

Amou,
Bebeu,
Sorriu,
Cantou,
Dançou,
Viveu,
Como se fosse a última vez e,
Naquele dia, também morreu,
Não pela primeira, nem pela segunda ou terceira vez
Mas pela última, 
Depois de tantas outras vezes 
Que já havia morrido naquele mês.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Café.

Tudo que preciso é de um café, preto, forte (isso é tudo que consigo desejar agora, um café). Quem sabe ele me faça esquecer das desilusões que a vida trouxe e ainda traz. 

Tudo que preciso é de um café, forte, intenso (é, eu preciso de um café). Talvez possa me ajudar a suportar as pessoas descafeinadas e sem graça, que fingem seus risos, amores, verdades. 

Tudo que preciso é de um café, intenso, quente (um café, agora, me cairia bem). Para esquentar os momentos mornos e cheios de pessoas geladas, de plástico.

Tudo que preciso agora é de um café, quente, com leite (com leite, claro, por que não?). Pra quebrar o mau humor, o mau olhado, o mau amor.

Tudo que preciso agora é de um café, forte, intenso, quente, preto ou com leite. Tudo que preciso agora é de um café, apenas um café, pra alegrar o coração e me salvar do mundo.